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quarta-feira, 15 de julho de 2015

TEAM MANCHA: CRÓNICA DO CIRCUITO DE VILA REAL

"O Team Mancha no  regresso às corridas do Campeonato Nacional de Clássicos, brindou-nos com dois Podios.

Mas não foi nada fácil, a decisão de inscrição foi tardia, o Lotus estava “parado” desde o ano passado e teve que ser revisto em tempo recorde, por parte da equipa da RP Motorsport liderada pelo Ricardo Pereira que conseguiu terminar tudo a tempo e horas.
O piloto tinha estado igualmente ausente e convinha usar de algumas cautelas porque a pista quase não tem rectas planas por isso muito desafiante e obrigando a uma constante concentração do piloto.
E foi precisamente concentração que me faltou quando na primeira corrida a largada foi  suspensa por derrame substancial de óleo de um dos participantes e andamos ali umas duas voltas em formação até o problema ser corrigido. Uma vez finalmente dada a partida ultrapassei os dois carros que nas qualificações estavam á minha frente mas quando me preparava para entrar em ritmo de redução de tempos à entrada da segunda volta senti dificuldades nos travões na chicane a seguir à meta onde em 2014 era apenas um “S” . De facto estava com os calços Ferodo do ano passado e já com duas sessões de treinos em cima porque os novos só chegaram segunda-feira…   
Estava usar a caixa “dog” habitual no CNCC mas que por acordo de cavalheiros não usamos no Historic Endurance onde militei em 2014 e senti dificuldade em engrenar a marcha atrás para regressar á pista. Quando o fiz estava muito atrasado e a ter de gerir os tais calços de travões. Na ansia de recuperação ultrapassei um companheiro sob bandeira amarela e tive que o voltar a deixa-lo passar-me para emendar o deslize.
A corrida terminou antecipadamente sob bandeira vermelha devido uma situação perigosa em  pista e foi muito difícil nestas circunstancias recuperar mais. Mesmo assim lá fomos com orgulho ao lugar mais baixo do Podio.
Foi um prazer enorme e grande desafio voltar a rodar com pneus slick (tb não autorizados no Hist.End.) sobretudo numa pista onde o mínimo erro se paga caro e tem zonas muito rápidas e sinuosas.
Mas para a segunda corrida já não tínhamos pneus, o nosso fornecedor ainda nos arranjou um par que talvez erradamente metemos na frente no intuito de melhor enfrentarmos as novas chicanes que achamos exageradamente violentas (e desnecessárias?).
Quanto aos calços conseguimos uns Mintex novos e esse problema foi debelado.
Saímos numa posição um pouco desfavorável da grelha com os habituais “valentes” à frente mas também os dois BMW nossos rivais de sempre muito bem colocados diante de nós. Voltamos a partir muito bem mas desta vez não foi possível ultrapassar ninguém só lá para a 3º volta é que consegui numa manobra de risco e oportunidade ultrapassar o 2.8CS mas ainda tive que me bater forte para chegar ao 2002 e ultrapassá-lo.

A partir daí comecei a distanciar-me, e sem outros rivais á vista comecei a ganhar ritmo, a aproveitar ao máximo aquela oportunidade de correr num circuito que ora nos obriga a serpentear pela pista ora nos atrai para uma espécie de abismo. Um verdadeiro desafio de pilotagem.
O “set up”, que estava muito mau no treinos livres e foi desenvolvido ao longo das varias sessões estava optimo e o novo motor feito com “restos” dos dois motores oficiais que temos estava fantástico e a responder em toda a gama de rotações que lhe exigíamos.
A andar sempre a bom ritmo e a faltarem umas 4 voltas para o final recebemos indicação da Box que estávamos em 1º do Gr 5 e quinto da geral.
Já saboreava o raro gosto de uma corrida perfeita quando o carro dá um atravessadela forte que quase me levava a bater.
Tinha furado o pneu de trás esquerdo e o  carro estava todo desequilibrado. Pensei em abandonar mas como sabia faltarem poucas voltas para o final consegui durantes essas voltas manter o carro em pista e fixei-me nos retrovisores sinalizando a minha situação aos adversários. Com a ajuda da excelente equipa de comissários que nos acompanhou durante todo o fim de semana lá consegui ir andando e ver baixar a bandeira de xadrez.
Afundámo-nos na classificação geral mas no GR5 o segundo lugar só nos fugiu mesmo sobre a linha de meta, uns milésimos de segundo, e o primeiro ficou muito bem entregue ao piloto do Cooper S que saiu cá de trás e também foi obrigado a fazer uma prova de muita garra.
Foi assim com dois pódios mais baixos que saímos da prova que será este ano seguramente a prova mais alta do Campeonato Nacional se não por outras razões pelo numero de espectadores.
Os trofeus deste ano eram artísticos fugindo á vulgar taça e trazer dois foi muito bom.
Sou do Porto comecei a correr muito novo (para a época) e já estou mais do que em idade de passar a espectador mas gostaria de voltar a ver corridas e quem sabe ainda correr no Porto. As duas pistas não tem comparação nem se anulam, antes completariam um campeonato onde os nossos três autódromos também tem um papel importante. Adoro correr em Portimão e lá espero estar ainda este ano.
Talvez agora que o Porto ficou sem a sua corrida surja a típica nostalgia nacional a reclamá-la de volta e tenhamos outra vez o circuito da Boavista, uma pista que era má,  vivendo da galhardia dos pilotos “afición” dos espectadores e vontade politica mas que ano após ano foi evoluindo e deixou de ser um conjunto de troços de competição e se tornou num circuito rápido, com um ritmo excelente que antes não tinha e muito seguro. Tornou-se um circuito adulto.
Provavelmente não se pode demorar tanto tempo a corrigir os defeitos e os portuenses entretanto ficaram cansados do seu circuito….
Um sinal para Vila Real que ia nesse mesmo trajecto dispondo já de um circuito com um “swing” inimitável. Este ano soube finalmente  corrigir a chicane de Mateus, afinal não era difícil, mas feriu-o, esperemos que não de  morte, com as três novas chicanes que destroem os carros e  não valorizam a pilotagem nem o espetáculo. 
Penso que grande parte dos pilotos as fazia em primeira, de facto assim ali não se magoa ninguém só o espetáculo.
Por isso prá frente Vila Real, para o ano imponham a vossa própria experiencia em corridas, movam influencias e não deixem que vos (nos) estraguem a pista.
Um muito obrigado pela forma como o Team Mancha e acho que todas as equipas foram aí recebidas. Felizmente esse bom acolhimento ninguém conseguiu mudar em Vila Real!"

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