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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CRÓNICA: TEAM MANCHA VENCEDORA NOS 250 KMS DO ESTORIL

"Esta é uma das provas mais interessantes do ano pela diversidade de carros que têm que conviver em pista, pela exigência que é solicitada às mecânicas, praticamente duas horas sempre a rolar, e à equipa que tem que atender às paragens para mudança de piloto, reabastecimento ou qualquer reparação necessária.

No nosso caso eramos dois pilotos pois o Manuel Melo veio-me ajudar na pilotagem do Lotus deixando o IMP em descanso. Nos treinos detetamos apenas algumas dificuldades de travagem que foram resolvidas para a corrida embora tivessem voltado ao fim de algumas voltas. O motor falhava um pouco em baixas rotações mas isso só de verificava na curva 1 no final da recta e na 3 o gancho que leva á curva VIP e nesse aspeto não se mexeu porque a prova tem apenas uma única sessão combinada de treinos livres e crono e não quisemos arriscar qualquer correção e sair para a corrida com uma opção ainda pior.
A solução foi sobreviver sem a normal eficácia de travagem do Lotus e tentar compensar o tal pequeno falhanço em “baixas” utilizando até se necessário a primeira velocidade para subir rotações e ter um motor mais “redondo”.

E assim foi volta após volta, nas paragens a equipa esteve impecável no cumprimento dos “loops” de reabastecimento e mudança de piloto evitando assim penalidades por regressos à pista antecipados. Sabíamos que o sistema de “time keeping “ do Estoril ia ser implacável pelo que levamos até  o Lotus Mancha equipado com meios de cronometragem próprios.
Mas logo a partir da terceira volta começamos a ver a indicação de BOX com o numero 1 e foi praticamente esta a posição que nos foi mostrada de principio a fim.
Parece fácil mas é muito stressante obter o primeiro lugar tão cedo e ter consciência que agora seria preciso “agarra-lo” durante quase duas horas.
No final dos quatro Lotus que se apresentaram aos treinos onde não fomos sequer os mais rápidos o Elan Mancha foi o único a cortar a linha de meta ao fim de duas horas. deu tempo para nos envolvermos em varias lutas até com carros que não sendo da nossa categoria nos permitiram despiques interessantes.
Reencontrei o Mike Wrigley que nos fez lembrar um dos primeiros despiques que com ele tive no Porto quando trouxe até cá o seu Escort Castrol Zackspeed e que agora se apresentava num Jaguar Lightweight muito bonito e conduzido com grande mestria aliás este simpático piloto também corre nos Masters da Formula 1 histórica num Williams dos anos 80. Não obstante ao fim de duas horas não nos conseguiu resistir…

O mesmo não podemos dizer de outro piloto que todos conhecemos e apreciamos o Michiel Campagne e do seu Chevrolet Corvette que no ultimo circuito da Boavista ganhou a corrida e que aqui esteve igualmente rápido e do raríssimo Bizzarini que já conhecíamos do Estoril do ano passado. Este ano ultrapassamo-lo logo na primeira volta mas acabou por ganhar a classe de H65 quando o volante passou para as mãos do seu co-driver, Frank Stippler. Quem gosta de corridas de clássicos terá visto na TV as arrepiantes manobras que este piloto fez em Goodwood este ano ao volante de um Alfa GTA.
Mas havia também os Fords Mustangs de Van Putten, Max Bodie e  Bart Uitervaal já nossos conhecidos e entre os nacionais o Ford GT 40 que é um carro que gosto sempre de ver em pista nem que seja a ultrapassar-me, fiquei vacinado desde o circuito de Vila do Conde em 68.
E era também um gosto encontrar como parceiros outros carros mais lentos ainda que também valiosos e verdadeiros históricos como os Cortina Lotus, Mini Marcos, Alpine Renault e vários Porsche 911 e BMW.   
Coube-me iniciar o combate alinhando à partida que é sempre excitante mas foi o meu companheiro Manuel Melo quem teve que fazer o ultimo turno trazendo o nosso Lotus incólume até à linha de meta e passando sob o relógio luminoso da pista, iniciado duas horas antes em primeiro lugar.
Foi um pódio especial. Numa corrida destas quem lá chega seja em que lugar for é só por si um vencedor mas sabe sempre melhor o lugar mais alto.

Foi pois com emoção que ouvimos o Hino Nacional mas nenhum de nós quis abrir o champanhe por respeito aos trágicos acontecimentos daquele fim-de-semana em França.
É altura de agradecer aos simpatizantes, amigos, comunicação social e aficionados em geral todos os sinais de apoio e expectativa no nosso desempenho. Uma grande parte da nossa energia e dedicação vem daí!
E naturalmente uma palavra especial para o nosso preparador, a RP Motorsport e o nosso  “guru” Manuel Melo, uma cooperação que este ano resultou sempre em pódios.
Saudações para todos do Alexandre Guimarães"

*por Alexandre Guimarães - Piloto do Team Mancha

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